Câncer do Intestino

Câncer do ânus

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câncer do ânus
Câncer do ânus

Os tumores malignos do ânus representam de 1 a 2 % de todos os tumores do cólon e 24% dos tumores anorretais. A maioria, cerca de 85%, origina-se no canal anal, sendo do tipo carcinoma epidermóide. Esses tumores em geral acometem pacientes do sexo feminino em torno da sexta década. Em contraste, os tumores perianais são mais comuns nos homens na proporção de 4:1 e ocorrem até cinco centímetros da margem anal.

Nos últimos anos, a incidência aumentada desses tumores no sexo masculino tem relação direta com o aumento de doenças sexualmente transmissíveis.


Etiopatogenia


Algumas considerações sobre a anatomia do reto e canal anal são importantes para uma melhor compreensão da etiopatogenia da doença. O reto distal, proximal ao anel anorretal, é constituído de epitélio mucoso colunar. Um pouco mais abaixo, ao nível da linha pectínea encontramos um epitélio de transição que contem elementos do epitélio colunar e cuboidal. Finalmente, distalmente à linha pectínea até a margem anal encontramos um epitélio escamoso estratificado.

A margem anal é recoberta por um epitélio escamoso estratificado queratinizado, coberto por pêlos e folículos pilosos.

Quanto à histologia dos tumores, existem vários subtipos, cujas origens relacionam-se diretamente ao seu local de origem. O carcinoma epidermóide ou espinocelular é o tipo mais comum originando-se do epitélio escamoso estratificado do canal anal superior. O epitélio colunar e cuboidal próximo à linha pectínea e que contém as colunas de Morgagni dão origem aos tumores transicionais e cloacogênicos.

As glândulas anais que se abrem em criptas localizadas ao nível da linha denteada podem também dar origem aos raros tumores mucoepidermóides e finalmente, quando o tumor se assemelha ao carcinoma basocelular da pele é conhecido como carcinoma basalóide. Outros tumores mais raros como o melanoma (0,25-1% dos tumores anorretais), o sarcoma e o adenocarcinoma também podem acometer esta região.

Recentemente, a infecção pelo vírus papiloma humano (HPV) tem sido apontada como um dos fatores responsáveis pelo aumento da incidência desses tumores, principalmente os subtipos 16 e 18 deste vírus. A condilomatose, a gonorréia, a infecção pelo herpes vírus tipo I e pela Chlamydia parecem também estar relacionadas. Outros fatores associados ao aparecimento desses tumores seriam: pacientes imunodeprimidos que se submeteram a transplantes de rim ou coração; pacientes submetidos à quimioterapia; condições precárias de higiene e irritação crônica do ânus. Há trabalhos também demonstrando uma nítida associação entre tabagismo e aumento do risco desses tumores.

A maioria dos pacientes apresenta sangramento anal vivo associado à dor nesta região, precedendo o aparecimento de outros sintomas na maioria das vezes. Desta forma, o exame físico é fundamental para o diagnóstico, permitindo uma avaliação da extensão da doença e coleta de material para análise histológica. Recentemente Yamagushi e colaboradores descreveram a utilização do corante índigo carmim para a identificação de um carcinoma epidermóide "in situ", facilitando a identificação de lesões pequenas.

Uma vez estabelecido o diagnóstico, deve-se estadiar a doença. O estadiamento é importante, pois influi diretamente na tomada de decisões terapêuticas, podendo também ajudar a predizer o prognóstico do paciente.

O prognóstico dos tumores da margem anal é geralmente favorável, sendo rara a ocorrência de metástases à distância. Por outro lado, os tumores do canal anal apresentam um comportamento local mais agressivo, uma vez que podem invadir a mucosa retal, tecido subcutâneo periana, gordura perirretal, musculatura e órgãos vizinhos, podendo também enviar metástases para linfonodos das cadeias mesentéricas em 30-50% dos casos. Os locais mais comuns de metástases à distância são fígado, pulmão e cavidade abdominal.

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